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TEXTO EVA RODRÍGUEZ HENRÍQUEZ | FOTOGRAFIA MAPFRE, ISTOCK
No último ano, nosso entorno se tornou tão complicado que a nossa saúde e a de nossos entes queridos subiu para o topo da nossa lista de preocupações. A esta lista juntam-se muitas vezes questões relacionadas à nossa estabilidade econômica, à educação e cuidado dos nossos filhos, dos idosos… ou à incerteza e inquietação motivadas pela magnitude e velocidade das mudanças que estamos vivendo.

Tivemos que nos transformar para enfrentar as adversidades, treinando nossa resiliência para limites que até então desconhecíamos. Isso nos tornou mais fortes e capazes na maioria dos casos.

O tempo passa e a situação vai evoluindo, mudando, mas a ameaça da COVID-19 e suas consequências persiste, embora seja possível vislumbrar um futuro mais promissor graças aos avanços nos tratamentos e, principalmente, nas vacinas.

Cada pessoa reage a essa situação de formas diferentes, de acordo com a sua personalidade, seus recursos emocionais e cognitivos, sua situação econômica, social, profissional e familiar, mas também de acordo com a sua idade.

Comparativamente, um ano para uma criança de 3 anos não significa o mesmo que um ano para uma pessoa de 20, 40, 60 ou 80 anos. Enquanto muitas mudanças substanciais ocorrem em um ano nas primeiras e últimas etapas da vida, em uma pessoa de, por exemplo, 40 anos não é previsível que existam tantas mudanças assim.

Vimos como crianças muito pequenas incorporaram a máscara em suas vidas sem grandes complicações ou adotaram as chamadas de vídeo como uma forma natural de se comunicar com seus avós. Para elas, cada dia é diferente e, o que fazem naquele momento, o fazem pela primeira vez e com muita frequência. Para elas, não houve mudança. Essa transformação será percebida quando tudo isso passar.

Os jovens e adolescentes passaram por esse momento principalmente com a preocupação de ver seu meio social alterado. Numa época da vida em que o círculo de amizades é o mais relevante e na qual se conquista a liberdade, podendo ir de um lugar a outro sem a companhia dos pais, os jovens tiveram que ser criativos e descobrir novas formas de se relacionar, apoiados pela tecnologia que, se antes já era importante no lazer, agora se tornou fundamental para suas relações sociais e, é claro, para seus estudos.

Os idosos passaram por muitas dificuldades em suas vidas e muitas vezes parece que não se surpreendem com nada e que são capazes de suportar as adversidades com bastante normalidade. No entanto, eles foram os mais afetados por esta situação, pela intensidade com que o vírus avançou e pelos danos colaterais causados nessa fase da vida. O isolamento prolongado resultou na falta de exames periódicos de saúde e na falta de exercícios físicos, fazendo com que a saúde dos idosos se deteriorasse. Além disso, a solidão e o medo têm acompanhado muitos deles, por isso seu grau de tristeza tem aumentado e os casos de ansiedade e depressão se tornaram mais frequentes.

Todo este panorama não é alheio às pessoas de meia-idade, que somam suas preocupações laborais e econômicas à preocupação com as crianças e com seus pais ou outros idosos que, por vezes, dependem deles. A sociedade gira em torno desse segmento da população. Economicamente e socialmente, a família e a economia dependem das pessoas em idade ativa.

Por tudo isso, parece claro que a saúde psicoemocional das pessoas em idade ativa é algo que devemos atender prioritariamente, visto que são essenciais para a nossa estabilidade social e estão sujeitas a múltiplas fontes de estresse.

Todo esse panorama é um desafio e uma oportunidade de transformação, pois quando se sai da zona de conforto ocorre mais aprendizado e crescimento, mas é preciso controlar os riscos de exaustão e desilusão que podem implicar em longos períodos de preocupação e mal-estar.

Dicas básicas para manter o moral elevado e as preocupações sob controle:

1. Cultivar relacionamentos pessoais

O apoio social é essencial. Nunca estivemos separados da família e dos amigos por tanto tempo. Isso sempre é traumático, mas com o agravante de termos ficado mais preocupados e com pouco ânimo, a necessidade de contar com o apoio social tornou-se mais evidente. Por outro lado, graças às novas tecnologias, nunca estivemos tão unidos através de chats e vídeos. Aproveitamos essa oportunidade para dizer aos nossos amigos e familiares o quanto os amamos e eles nos disseram o mesmo. Aprimoramos nossas habilidades tecnológicas, mas também descobrimos nosso lado mais afetuoso e o dos demais. Dissemos uns aos outros o quanto somos importantes em nossas vidas e percebemos como é reconfortante saber disso.

5. Cuidar do corpo

A alimentação, os exercícios físicos e o descanso são os pilares da boa saúde física, andando de mãos dadas com a saúde e o equilíbrio mental.

2. Treinar a resiliência

Para isso, lembre-se destas dicas básicas

  • Respeite seus sentimentos, eles são normais e muito frequentes. Fale sobre eles, aceite sua normalidade e sinta-se parte de um todo.
  • Autoconsciência. Reconheça seus pensamentos e sentimentos, reflita sobre se eles são úteis ou não para você, mas não se esforce para mudá-los.
  • Concentre-se no que está sob seu controle e influência. Esse é o melhor caminho.
  • Conecte-se com seu corpo. Respire e se distancie. Pratique alguma técnica de relaxamento ou meditação
  • Envolva-se no que você está fazendo e preste atenção ao que você faz
  • Elabore uma disciplina de ação e concentre-se em criar um hábito. Estabeleça metas realistas e cumpra-as
  • Reflita sobre o que é valioso para você em sua vida pessoal e profissional e aproveite a situação para esclarecer sua escala de valores

6. Promover boas experiências

Praticar atividades que gostamos e nas quais somos bons, no trabalho, em casa, nos nossos momentos de lazer, nos faz alcançar um estado especial de bem-estar, denominado flow, em que o tempo voa e nós desfrutamos profundamente.

3. Pratique a gratidão

Uma grande fonte de bem-estar é observar os pequenos detalhes que as pessoas têm em relação a nós e corresponder da mesma forma. Ser grato pelo que os outros fazem e causar bons sentimentos neles é algo infalível para se sentir bem.

7. Estabelecer metas para alcançar nossos objetivos

Encontrar nossos propósitos, o que realmente nos interessa e o que nos motiva a seguir em frente, é tremendamente construtivo. Definir metas e trabalhar para alcançá-las é uma fonte de profunda satisfação.

4. Praticar a consciência plena

Se você praticar alguma técnica que treine a capacidade de viver no presente, regularmente e durante o tempo suficiente, você alcançará um maior grau de autoconsciência e reduzirá os níveis de estresse e ansiedade. Você descansará melhor, melhorará a memória e a capacidade de concentração, os relacionamentos, a criatividade e, por fim, a forma de enfrentar o mundo.

8. Praticar a compaixão

Não é sentir pena ou lástima do outro, mas a capacidade e o instinto de acompanhar aos demais em seu sofrimento, de sentir, de ter empatia e ser gentil. Trabalhar a compaixão não apenas nos torna pessoas melhores, mas também muito mais felizes.

9. Cultivar a expressão artística, apreciar a beleza, prestar atenção aos prazeres sensoriais, intelectuais e estéticos

Existem muitas coisas horríveis no mundo, mas realmente existem muito mais coisas bonitas nas quais podemos nos concentrar. Apreciar a beleza e desfrutar do que se pode, é uma arte que pode nos ajudar a ser fortes e a enfrentar os desafios do dia a dia.

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