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TEXTO NURIA DEL OLMO | FOTOGRAFIA MAPFRE, ISTOCK

O Centro de Experimentação e Segurança Viária da MAPFRE (CESVIMAP) é, sem dúvida, um dos melhores exemplos de inovação e sustentabilidade do Grupo. É o que acredita seu diretor-geral, engenheiro industrial, poliglota, inventor, empresário e com uma carreira profissional de mais de 20 anos ligada ao mundo automotivo. José Maria Cancer (Madrid, 1967) orgulha-se da grande contribuição deste centro de referência mundial, que concebe métodos de reparação de veículos de forma sustentável, melhora o design dos automóveis para que sejam mais seguros e fáceis de reparar e proporciona uma segunda vida a milhares de peças de veículos declarados como perda total.
José Maria Cancer

José Maria Cancer

Diretor-geral da CESVIMAP (Centro de Experimentação e Segurança Viária da MAPFRE)

“Acredito que a pandemia não acelerou a economia circular, muito pelo contrário”.

Por que a MAPFRE aposta na economia circular? Que valor agregado esse modelo de produção
e consumo oferece?

Mais do que uma aposta, fala de um compromisso que assumimos para melhorar o mundo em que vivemos, para torná-lo um lugar mais seguro, limpo e próspero. Que planeta queremos deixar para as próximas gerações? O CESVIMAP nasceu há 37 anos com um propósito claro: facilitar o reparo dos automóveis ao invés de substituir seus componentes quando possível. E assim foi. Temos muito orgulho da nossa evolução. Só para dar um exemplo, os para-choques reparados pelas oficinas colaboradoras da MAPFRE na Espanha representam uma economia de mais de 1.200 toneladas por ano na produção de novos plásticos. É como se tivéssemos recuperado 278 milhões de tampinhas de garrafas para reciclagem. Podemos dizer o mesmo do vidro, que não precisamos produzir porque reparamos os para-brisas em vez de substituí-los. Há quem pense que isso é feito apenas para diminuir o custo total do conserto em um sinistro, mas não é assim. Isso tem muito mais a ver com a adaptação da economia a um futuro ecológico, com o reforço da nossa competitividade, com mudanças substanciais nos processos produtivos que nos permitem caminhar em direção à um modelo de desenvolvimento mais responsável com o planeta que as novas gerações irão assumir. Sabemos que nossos clientes entendem e valorizam essas atitudes.

Por que esse centro representa uma inovação por si só? Como vocês reciclam e reaproveitam peças para contribuir com um modelo de produção sustentável?

Assim como o CESVIMAP é inovador, também é o CesviRecambios, o Centro Autorizado para o Tratamento de Veículos Fora de Uso, que criamos em 2004. Criamos o CesviRecambios como forma de garantir a rastreabilidade perfeita de cada peça recuperada que vai ser colocada à venda, fornecendo, ademais, outros dados ao cliente, como o tipo de veículo de onde provém a peça, seu estado e sua quilometragem, entre outros. Também foi inovadora a decisão de não comercializar peças cujo perfeito funcionamento não pudesse ser garantido – fundamental para podermos oferecer garantias superiores às exigidas por lei – e a ideia de construir instalações com a mais moderna tecnologia, que visa a recuperação de óleos, fluidos de freio ou fluidos de refrigeração, o que evita que qualquer resíduo possa impactar negativamente o planeta.

Quais resultados estão sendo obtidos?

Um dos nossos grandes êxitos é que muitos dos motores que recuperamos permitiram reparar veículos que haviam sofrido graves avarias no motor, que teriam sido descartados se não fosse pelos nossos motores recuperados. Devemos partir do pressuposto de que o preço de um motor novo muitas vezes é mais alto do que o valor de muitos carros. Graças à CesviRecambios muitos automóveis circulam com motores recuperados, verificados e com garantia, evitando a necessidade de se fabricar um veículo totalmente novo, o que é claramente benéfico para o meio ambiente, mas também para os clientes que não possuem meios de trocar de automóvel. Também estamos muito satisfeitos com um novo projeto, diretamente ligado à sustentabilidade e à economia circular, que permitirá dar uma segunda vida às baterias dos carros elétricos, veículos que, na Espanha, ao longo de 2020, aumentaram em 142.251 unidades, 70% a mais do que havia em circulação em 2019. Para isso, recebemos uma ajuda do Centro de Desenvolvimento Tecnológico Industrial (CDTI) no valor de 250.000 euros, um sinal da confiança que essa instituição deposita nas pesquisas feitas pelo CESVIMAP.

¿Aproveitar os recursos é um desafio, principalmente para promover o crescimento econômico, a geração de empregos e reduzir o impacto ambiental. Quais barreiras ou dificuldades você acha que as cidades encontram na hora de implementar modelos de desenvolvimento baseados na economia circular?

Acredito que a barreira fundamental não é técnica, mas cultural. Crescemos em algumas décadas de permanente expansão econômica e desenvolvimento, com seus altos e baixos, que nos habituaram a uma cultura de satisfação imediata, de usar e jogar fora, de renovar nosso guarda-roupa, nossos móveis, nossos celulares a toda hora, de comer em formatos que não nos obriguem a guardar e lavar os recipientes. Essa mudança será difícil de implementar porque é mais fácil quando se aprende desde a infância. Isso faz parte da responsabilidade das instituições, mas também é responsabilidade nossa, porque devemos promovê-la a nível pessoal, em nossas famílias e em nosso entorno.

ZERO
WASTE
2021

Com que ações cada um de nós pode contribuir a nível particular na hora de impulsionar esse novo paradigma?

A verdade é que existem milhares de pequenos gestos diários que podemos fazer em casa ou no escritório. Na sede da MAPFRE, especificamente, foram instalados painéis fotovoltaicos que fornecem uma parte significativa da energia elétrica que consumimos, e estamos empenhados em minimizar a geração de resíduos (papel, plástico, papelão e equipamentos eletrônicos, entre outros) em todo o Grupo, e obter, em 2021, a Certi­ficação Lixo Zero no complexo Majadahonda (Madrid). O projeto MAPFRE Sem Plásticos, por exemplo, evitou até agora o consumo de um milhão e meio de garrafas de plástico e dois milhões de copos descartáveis. Estes são alguns dos passos para alcançar o objetivo que nos propusemos na Espanha e em Portugal, de sermos neutros em carbono em 2021, e, em todo o grupo, em 2030. Os funcionários também fazem #AParteQueNosToca, reduzindo o consumo de fotocópias, utilizando papel reciclado para fazer anotações e evitando deslocamentos desnecessários de carro quando determinada reunião pode ser substituída por uma videoconferência. O confinamento certamente já nos pegou altamente treinados. Acho que, se tivesse que fazer um esforço especial, focaria em educar as futuras gerações, os nossos filhos, é nosso dever e nossa responsabilidade e, além disso, é possível.

Como você acha que a pandemia influenciou na aceleração da economia circular? Que lições aprendemos?

Acredito que a pandemia não acelerou a economia circular, muito pelo contrário. Depois de anos insistindo na necessidade de economizar água, passamos a lavar as mãos por longos períodos, a tomar banho várias vezes ao dia, a usar álcool em gel repetidamente, embora não tenhamos tocado em nada desde a última vez que usamos, o fazemos apenas porque vemos um dispensador perto da gente. Também voltamos a usar talheres e pratos descartáveis e isso não é nada positivo. No entanto, reconheço que a paragem repentina da atividade industrial em algumas regiões permitiu uma surpreendente recuperação da fauna e da flora locais, que voltaram a reivindicar seu espaço. Acredito que, se depois de tudo isso conseguirmos reduzir nossas emissões e nosso consumo, não forçados pela pandemia, mas graças a uma atividade mais controlada e respeitosa com o meio ambiente, também poderemos ver resultados animadores.

A ONU destaca que a economia circular poderia reduzir em até 99% os resíduos de alguns setores industriais e 99% de suas emissões de gases de efeito estufa, ajudando a proteger o meio ambiente e a combater as mudanças climáticas. Você acha que uma economia que não gera resíduos é possível?

Não sei se seria possível reduzir mais de 95% dos resíduos como diz a ONU ou se seria apenas 50%, mas tenho certeza que podemos melhorar muito, é um longo caminho, mas nós podemos e devemos percorrê-lo.

PMEs e pegada de carbono

Proporcionar às PMEs assessoramento, capacitação, apoio tecnológico e informação para melhorar a competitividade e a sustentabilidade do tecido empresarial na Espanha. É objetivo do acordo que a MAPFRE firmou com a Câmara de Comércio da Espanha para ajudar as PMEs a calcular sua pegada de carbono por meio de uma ferramenta específica, que também lhes permitirá avaliar sua eficiência energética, desenvolvimento sustentável e grau de implantação da economia circular em sua organização. Com os resultados desses testes, as empresas poderão planejar e implementar uma estratégia de redução de emissões e se tornar entidades comprometidas com o meio ambiente e a sociedade, além de gerar valor econômico. Neste processo, as PMEs serão assessoradas pelos técnicos das Câmaras de Comércio Territoriais, que receberão treinamento sobre como estabelecer os planos de pegada de carbono e implementar a economia circular, medidas fundamentais para que possam obter o selo oficial do Ministério de Transição Ecológica. Esse selo oferece uma série de vantagens para as empresas que o possuem, como a redução de impostos, aumento de vendas, melhor posicionamento da marca e possibilidade de destaque em concursos públicos. Ademais, o acordo contribui para um futuro mais sustentável para toda a sociedade, garantindo uma melhor qualidade de vida, uma maior rentabilidade na utilização de recursos e ferramentas para melhorar sua competitividade e eficiência. “Para a MAPFRE, será um projeto estratégico para atuar como incentivo às PMEs em matéria de sustentabilidade e economia circular, a fim de promover seus planos para compensar o CO2 emitido, reduzir sua pegada de carbono e otimizar o consumo de energia”, destacou José Manuel Inchausti, vice-presidente da MAPFRE e CEO da Mapfre Iberia.

“Para a MAPFRE, será um projeto estratégico para atuar como incentivo às PMEs em matéria de sustentabilidade e economia circular, a fim de promover seus planos para compensar o CO2 emitido, reduzir sua pegada de carbono e otimizar o consumo de energia”

MAPFRE reduz, repara e recicla

Vivemos em um planeta com recursos limitados, onde o modelo econômico tradicional, baseado no consumo e no descarte, gera um grande impacto e está alterando completamente o ecossistema natural. A economia circular aspira que os recursos da natureza já extraídos possam ser recuperados, reutilizados e reciclados e, desta forma, sejam aproveitados da forma mais eficiente para gerar o menor impacto possível no ambiente. É um modelo que permite gerar oportunidades de negócios ao mesmo tempo em que preserva o meio ambiente e a sociedade. A MAPFRE aderiu recentemente ao Pacto pela Economia Circular, iniciativa que está sendo promovida pelo Ministério de Transição Ecológica e Desafio Demográfico e que visa envolver os principais agentes econômicos e sociais da Espanha na transição para um novo modelo econômico, que foge do atual sistema de descartáveis e que aposta em reutilizar, reparar, reduzir e reciclar. Somos a primeira seguradora do Ibex 35 a fazer parte deste projeto na Espanha, e vamos promover essa transição através de um total de 10 compromissos do Pacto pela Economia Circular, que envolvem, entre outras ações: reduzir o uso de recursos naturais não-renováveis, incorporar critérios de ecodesign e promover pautas que aumentem a inovação e a eficiência global em nossos processos produtivos. Também nos comprometemos em difundir a importância de passar da economia linear para a economia circular, promover a transparência dos processos, a conscientização e a sensibilização dos cidadãos, bem como medir o impacto social e ambiental decorrente do funcionamento da organização.

A economia circular aspira que os recursos da natureza já extraídos possam ser recuperados, reutilizados e reciclados e, desta forma, sejam aproveitados da forma mais eficiente para gerar o menor impacto possível no ambiente.

Sostenibilidad implica

Cumplir con los compromisos públicos asumidos.

Encontrar un equilibrio a medio y largo plazo entre las preocupaciones ambientales, sociales y económicas/gobernanza (asg) y definir cómo estas nos afectan y a los grupos de interés con los que se relaciona.

Gestionar el impacto en la sociedad e identificar las oportunidades del desarrollo sostenible para crear valor compartido.

Estos objetivos se materializan a través de una política de sostenibilidad y del Plan de Sostenibilidad 2019-2021

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