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TEXTO JAVIER FERNÁNDEZ @JFG68 | FOTOGRAFIA MAPFRE

A Fundación MAPFRE criou o Centro de Pesquisas Ageingnomics para analisar positivamente a longevidade e canalizar a chamada “economia prateada” para a criação de oportunidades que contribuam para o crescimento e para a geração de empregos. À frente do Centro está Juan Fernandez Palacios, um dos maiores especialistas espanhóis em poupança, uma vez que toda a sua vida profissional esteve ligada à análise e promoção do seguro de vida. Começou como Inspetor de Seguros e passou grande parte de sua carreira na MAPFRE, onde até o final de 2020 foi CEO da MAPFRE Vida. Agora, liberado da gestão empresarial, dirige esse Centro com sua visão atuarial, fundamental quando falamos em economia para o futuro, e com sua enorme capacidade de fomentar ideias e impulsionar equipes.

Entrevista com Juan Fernández Palacios

Por que a Fundación MAPFRE criou o Centro de Pesquisas Ageingnomics neste momento?
Na Mapfre sempre acreditamos que o aumento da longevidade e a melhoria paralela das condições de vida constitui uma mudança estrutural que impacta a maior parte, senão todos, os setores de atividade econômica. Após vários anos promovendo análises e eventos da empresa com o objetivo de identificar estes impactos e suas consequências econômicas e sociais, juntamente com a Universidade de Deusto, constatamos que este fenômeno estava em crescimento. Por isso, em 2020, concluímos que era necessário dar um impulso à análise e à criação de propostas sobre o envelhecimento, enriquecidas com uma abordagem mais acadêmica, e que o ambiente mais adequado para o desenvolvimento dessa proposta era a Fundación MAPFRE, que tem entre seus objetivos a educação financeira e a disseminação da cultura seguradora.

Quais são os objetivos do Centro?
Centro de Pesquisas Ageingnomics visa projetar uma visão positiva sobre o fenômeno do envelhecimento populacional, ajudando cidadãos, empresas e instituições a aproveitarem as oportunidades que o mesmo oferece. Trata-se de identificar e promover vias de desenvolvimento econômico e social associados ao desafio demográfico, desde uma perspectiva sem fins lucrativos – daí sua localização na Fundación Mapfre.

Em quais linhas de ação irá contribuir e a que público estão dirigidas?
Divulgação, pesquisa científica e apoio a projetos empreendedores com impacto social. Com o nosso trabalho de divulgação, pretendemos conscientizar os cidadãos sobre o potencial que a demografia nos oferece e ajudar a superar a síndrome paternalista em relação aos idosos. Através dos trabalhos de pesquisa que já estamos realizando, tentaremos, entre outros aspectos, medir a contribuição dos sêniores para a economia e acompanhar a sua evolução, bem como linhas de melhoria em aspectos específicos da vida das pessoas. Por fim, por meio de instrumentos como o Prêmio Fundación MAPFRE à Inovação Social, estimularemos a implantação de projetos empreendedores, buscando apoiar aqueles que sejam economicamente viáveis.

O que é um “sênior”?
É uma boa pergunta, que não tem uma resposta única. Às vezes, o termo “sênior” é associado a adultos que são especialistas em alguma profissão ou atividade na qual não são mais juniores, e, outras vezes, refere-se a idosos que precisam de cuidados. Para nós, sêniores são aqueles indivíduos que atingiram uma idade madura, que concordamos em situar, com flexibilidade, em torno dos 55 anos. Por sua vez, neste segmento diferenciamos 4 categorias principais: sêniores totalmente integrados no mundo laboral, profissional ou empresarial; aqueles que se encontram em situação de dedicação parcial a essas atividades; aqueles que nelas cessaram completamente, mantendo boas condições físicas com plena autonomia pessoal; e aqueles que, por sua idade ou situação de saúde, necessitam cuidados de outras pessoas ou instituições parcial ou totalmente.

¿Por onde você acha que deve começar?
A primeira coisa a ser feita é mudar a visão de um segmento etário que até recentemente era dado como certo. Ainda vemos como muitas empresas, por motivos diversos, evitam trabalhadores que já passaram de uma certa idade. Há uma longa jornada para aproveitar as vantagens do talento sênior no âmbito laboral e profissional. Para isso, é importante a sensibilização dos agentes sociais, mas também a ação das administrações públicas no sentido de flexibilizar o acesso à aposentadoria e favorecer o prolongamento da vida ativa dos cidadãos que assim o decidam.

Quais setores serão beneficiados se fizermos as coisas bem, em termos de oportunidades, de crescimento e de emprego?
Todo mundo ganha, de uma forma ou de outra, se fizermos as coisas bem e nos prepararmos para essa revolução que significa viver mais e com maior qualidade de vida. A economia sênior vai impactar a maioria dos setores de atividade e é uma economia de oportunidades, tanto pelo lado da demanda quanto pelo lado da oferta. Os sêniores já são um motor econômico: conforme constatado por um dos primeiros trabalhos do Centro, o primeiro Barômetro do Consumo Sênior, esse segmento da população tem poder aquisitivo (55% vivem em domicílios em que pelo menos duas pessoas contribuem com renda mensal), 90% possuem casa própria, 56% conseguem fazer alguma poupança e, algo muito importante para o nosso país, são um motor turístico. Trata-se de promover o uso desses recursos em termos de crescimento e emprego.

¿Como se financia uma economia quando um terço de sua população é aposentada ou semi-aposentada?
A sustentação da demanda desse setor cada vez mais numeroso da população requer a disposição, por parte do mesmo, de um nível de renda suficiente. Daí a importância de contar com sistemas de previdência e poupança, públicos e privados, robustos e sustentáveis para a aposentadoria, questão pendente em nosso país. Nesse sentido, promover o círculo virtuoso de utilização de recursos que até então não eram utilizados, com a consequente geração de novas fontes de renda, apresenta-se como uma das soluções mais imediatas. Em outras palavras, temos que garantir hoje que os trabalhadores atuais gerem economias para esse futuro longo que os espera após a aposentadoria.

A cerimônia de apresentação do Centro de Pesquisas Ageingnomics da Fundación MAPFRE, realizada no dia 10 de dezembro,
incluiu a presença de Teresa Ribera, quarta vice-presidente e ministra da Transição Ecológica e do Desafio Demográfico, na foto com Antonio Huertas, presidente da Fundación MAPFRE, Ignacio Baeza, vice-presidente da Fundación MAPFRE, Juan Fernández Palacios, CEO da MAPFRE Vida e Iñaki Ortega, diretor da Deusto Business School Madrid.

A longevidade pode ser o nosso melhor recurso natural, e nos tornarmos o país de referência para este modelo de sociedade adaptado aos maiores de 70 anos?
Essa é uma visão muito interessante. Em um país como o nosso, com uma das maiores expectativas de vida do mundo e padrões crescentes de vida saudável, acompanhados, infelizmente, por uma das mais baixas taxas de natalidade, a massa crescente da população sênior torna-se uma fonte de riqueza, um bônus demográfico, que não podemos desperdiçar. E não se trata apenas de fazer da necessidade uma virtude, digamos no nível macroeconômico, mas também de oferecer oportunidades de realização e desenvolvimento vital para os indivíduos e as famílias.

A pandemia freou a demografia?
tremendo impacto da pandemia em nossa geração mais velha deve necessariamente ser observado nos índices de supervivência e, sem dúvida, terá um efeito estatisticamente inferior na expectativa de vida. Mas estou convencido de que o efeito será temporário e não alterará a tendência estrutural de aumento da longevidade. Além disso, na minha opinião, a pandemia ajuda a entender melhor esse fenômeno, diretamente ligado à melhoria da higiene social e aos avanços na vacinação e nos meios de diagnóstico e tratamento de doenças. As UTIs, os respiradores, os medicamentos que temos hoje, aliados ao rápido desenvolvimento de vacinas contra a Covid-19, ilustram por que o ser humano leva décadas vencendo doenças e aumentando a expectativa de vida.

SÊNIOR SÃO UM GERAÇÃO COM PODER AQUISITIVO, ATIVOS E ALTAMENTE TECNOLÓGICA, ELES SE CUIDAM E SÃO UMA GARANTIA DE CONSUMO EM MOMENTOS DE CRISE

Os 4 tipos de senior

Mais de 55 anos totalmente integrados no mundo laboral, profissional ou empresarial

Aqueles que se encontram em situação de dedicação parcial a essas atividades

Não aqueles que nelas cessaram completamente, mantendo boas condições físicas com plena autonomia pessoal;

Aqueles que, por sua idade ou situação de saúde, necessitam cuidados de outras pessoas ou instituições parcial ou totalmente

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