TEXTO ENRIQUE VEGA | FOTOGRAFIAS MAPFRE, ISTOCK
As seguradoras enfrentam a difícil tarefa de encontrar bons ativos que sejam rentáveis em um ambiente de taxas de juros cada vez mais complexo. Desde 2014, a taxa de juros na zona do euro tem se mantido em níveis próximos de zero e nos Estados Unidos, embora o Federal Reserve tenha começado a mudar sua política monetária gradualmente alguns anos depois, teve que dar um passo atrás e atualmente se encontra novamente em 0,25%. Este cenário teve um impacto direto nas contas das instituições financeiras e também das seguradoras, que são conhecidas por ter um balanço muito conservador com uma alta exposição à dívida de alta qualidade que atualmente rende muito pouco.
O recente relatório Investimentos do Setor Segurador, elaborado pela MAPFRE Economics, aponta, de fato, que grandes grupos seguradores, reconhecidos como um dos principais investidores institucionais da dívida pública a nível global, investem mais de 75% de seus balanços em dívidas de alta qualidade, tanto soberanas quanto corporativas. E, neste contexto, é muito difícil manter o retorno dos investimentos e alinhar, ao mesmo tempo, a duração dos ativos e passivos, tendo em vista que ainda existem carteiras antigas com altas taxas garantidas.

Ao contrário de outras instituições financeiras, o modelo de negócio segurador implica a necessidade de implementar estratégias de investimento orientadas por passivos, de forma a conseguir um «casamento» adequado entre prazos, divisas e taxas de juro entre os passivos assumidos e os instrumentos de investimento que os respaldam. Por isso, além dos investimentos em renda fixa (corporativa e soberana), a MAPFRE, como o resto do setor segurador, está imersa na busca por ativos alternativos mais rentáveis. Neste momento, o Grupo se encontra em uma posição prudente no que diz respeito a estes investimentos, ao contrário do que acontece com outras empresas concorrentes, uma vez que o volume destinado – cerca de 1 bilhão de euros investidos em diferentes projetos – representa uma porcentagem muito pequena quando comparada à dimensão do balanço total, que se situa acima dos 65 bilhões de euros.

Ativos imobiliários

A MAPFRE estreou no mercado imobiliário em 2018 juntamente com a GLL, do grupo Macquarie, através de um fundo de investimento para investir em escritórios prime nos principais mercados europeus. A MAPFRE entrou no acordo com uma participação de 50% e um investimento total de 100 milhões de euros. Esta aliança, estabelecida para investir até 300 milhões, adquiriu edifícios de alto padrão em Luxemburgo e a antiga sede da BBC Radio no distrito de Fitzrovia, no coração de Londres.

Em março, adquiriram um edifício de escritórios prime de 6.000 m2 no bairro de St. Georg, em Hamburgo. O imóvel, que antes pertencia à Allianz Real Estate, conta com o selo de sustentabilidade DGNB Gold que avalia aspectos econômicos, ambientais, de conforto e qualidade.

Além disso, em meados de 2019, o Grupo chegou a um acordo com a Swiss Life para a criação de um fundo de investimento no mercado imobiliário. Desta forma, a MAPFRE, com metade da participação e um desembolso de mais de 100 milhões de euros, decidiu apostar nos escritórios prime localizados em Paris.

Mais recentemente, no final de abril deste ano, a MAPFRE impulsionou esta aliança com a criação de uma Joint Venture, um fundo de investimento pan-europeu com um volume inicial de ativos avaliado em 400 milhões de euros, com o objetivo de investir no mercado imobiliário espanhol e italiano.

Edificio de oficinas prime situado en el distrito de St. Georg, Hamburgo.
Edifício de escritórios prime localizado no distrito de St. Georg, Hamburgo.

50% de participação

100 milhões de euros investidos joint venture pan-europeia

Infraestruturas

A MAPFRE e a Abante, no desenvolvimento de sua aliança estratégica iniciada há dois anos e por meio do Macquarie, um grupo de serviços financeiros com sede na Austrália, lançaram em 2020 um fundo de infraestruturas de até 300 milhões de euros. Nesse sentido, a MAPFRE se comprometeu a contribuir com um capital inicial de 50 milhões de euros, de acordo com os critérios de sustentabilidade, social e governança (ESG, na sigla em inglês), embora esse número tenha aumentado para 100 milhões.

Este fundo, que tem despertado o interesse de investidores institucionais e de bancos privados e que tem como subjacente diversas estratégias do Macquarie Infrastructure and Real Assets (MIRA), oferece aos investidores a oportunidade de ter acesso a um tipo de ativo que permite a diversificação de carteiras em um ambiente de taxas de juros baixas.

50 milhões de euros de capital inicial

Critérios ESG sustentabilidade social e governança

Capital privado

No intuito de avançar com as estratégias de investimento em ativos alternativos, a MAPFRE lançou, juntamente com a Abante e a Altamar, um fundo no qual o grupo segurador comprometeu um valor superior a 200 milhões de euros em 2020. Especificamente, a MAPFRE Private Equity FCR, registrada na CNMV, reúne os investimentos em capital privado já realizados pelas entidades do grupo, bem como os investimentos presentes e futuros, e conta com uma postura conservadora.

Este tipo de investimento, denominado «evergreen» ou permanente, atende às necessidades das seguradoras e demais investidores institucionais que, devido à natureza do seu negócio, têm que investir em ativos de muito longo prazo. Além disso, ao contrário de um fundo de capital privado tradicional, cuja vida média é em torno de dez ou doze anos, esse instrumento tem prazo ilimitado.

Como afirma José Luis Jiménez, diretor-geral de investimentos da MAPFRE, esses investimentos «permitem diversificar a carteira em um momento em que o mercado é muito atraente, pois grandes oportunidades podem ser geradas nos próximos meses».

200 milhões de euros em capital próprio

Evergreen prazo ilimitado

Investimentos sustentáveis

A quarta aposta do grupo segurador em investimentos alternativos é o recente acordo firmado com a Iberdrola para investir conjuntamente em energias renováveis na Espanha. Este projeto, que contará com uma participação de 80% da MAPFRE, envolve a criação de uma joint venture inédita entre uma empresa de energia e uma seguradora.

A Joint Venture contará com até 230 MW em projetos verdes – tanto eólicos como fotovoltaicos – da carteira de ativos da empresa de energia. Este acordo também prevê a incorporação de outros ativos operacionais, bem como novos projetos de desenvolvimento de energias renováveis, até alcançar os 1.000 MW.

Da mesma forma, no âmbito da diversificação de ativos alternativos, o objetivo adicional desta aliança é que clientes terceiros, como a Abante, tenham a possibilidade de co-investir neste fundo de energia limpa, no qual serão investidos conjuntamente cerca de 800 milhões de euros.

80% de participação da Mapfre

230 MW em projetos verdes

Uma viagem única no tempo

Ultrapassando as barreiras mais tradicionais, a MAPFRE decidiu se tornar acionista da Puy du Fou, uma empresa francesa de parques temáticos, com 19,3%. A construção de um parque sobre a história da Espanha na província de Toledo foi o principal motivo pelo qual se decidiu apostar neste projeto.

Copiando a fórmula do país gaulês, a MAPFRE decidiu abrir o parque espanhol em duas fases: a primeira, em agosto de 2019, oferecendo espetáculos noturnos relacionados aos acontecimentos mais importantes da história da Espanha; e a segunda, na primavera deste ano, abrindo as portas do parque físico, que conta com atrações, barracas, oficinas, restaurantes e apresentações diurnas para todas as idades.

Com todos esses investimentos, a MAPFRE desembolsou mais de 850 milhões de euros. O compromisso do Grupo com ativos alternativos é um fator que deve ser levado em consideração e, apesar de ter um peso menor dentro da carteira de produtos, a promoção de novos projetos permitirá à MAPFRE ter uma maior exposição nesta área e explorar novas oportunidades de investimentos.

19,3% investimento na empresa francesa

850 milhões de euros investidos

Espetáculo noturno de Puy du Fou.
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