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A pandemia global que estamos vivendo não deteve o desejo da Tu Fundación de colocar a arte ao seu alcance. Assim, como mencionamos na edição anterior de O Mundo da MAPFRE, o Centro de Fotografia KBr de Barcelona foi inaugurado no início de outubro com duas exposições espetaculares de fotógrafos renomados. Também sobre fotografia está a exposição que pode ser visitada em Madrid neste outono cultural. O Museu Carmen Thyssen de Málaga recebe uma exposição representativa da coleção de desenhos da Tu Fundación e a exposição da fotógrafa Paz Errázuriz viaja ao Brasil.

Sociedade, paisagem e literatura na obra fotográfica de Bill Brandt

Até 24 de janeiro de 2021, pode-se visitar no novo Centro de Fotografia KBr Fundación MAPFRE, em Barcelona, a primeira retrospectiva realizada na Espanha sobre Bill Brandt (Hamburgo, 1904-Londres, 1983), um artista atualmente considerado um dos fotógrafos britânicos mais influentes do século XX.

Suas imagens, que exploram a sociedade, a paisagem e a literatura inglesas são essenciais para entender a história da fotografia e até a vida britânica em meados do século passado. Dois são os aspectos que permeiam a obra do artista ao longo de sua trajetória. Por um lado, a eliminação de toda e qualquer referência às suas raízes alemãs após se estabelecer em Londres em 1934; uma ocultação devido à crescente animosidade contra os alemães que se seguiu à ascensão do nazismo. Por outro lado, a condição do “sinistro”, termo usado por Sigmund Freud em 1919 e com o qual Brandt estava mais do que familiarizado depois de passar por sessões de psicanálise durante sua juventude em Viena. Partindo dessas ideias, a exposição percorre, através de 186 fotografias positivadas pelo próprio Bill Brandt, todos os gêneros da disciplina fotográfica: reportagem social, retratos, nus artísticos e paisagens. Da mesma forma, destaca a relação da obra do fotógrafo britânico com as teorias do surrealismo, movimento com o qual entrou em contato durante sua estada em Paris na década de 1930.

Bill Brandt
Bill Brandt
Bond Street hatter’s show‑case, 1934
Private collection, Courtesy
Bill Brandt Archive and Edwynn Houk Gallery © Bill Brandt / Bill Brandt Archive Ltd.
Paul Strand
Paul Strand
Abstraction, Bowls, Twin Lakes, Connecticut
[bstração, bowls, Twin Lakes, Connecticut], 1916
Imagem em papel de gelatina e prat
Coleções Fundación MAPFRE

A jornada fotográfica de Paul Strand

Nas mesmas datas e local da exposição de Bill Brandt, Tu Fundación apresenta 110 das 131 imagens de Paul Strand que fazem parte de seu acervo.

Este fotógrafo de Nova York (1890‑1976) explorou o potencial dessa disciplina como um instrumento de superação da visão humana por meio de retratos íntimos e detalhados e da captura de nuances em formas mecânicas e naturais.

Depois de realizar, em 1920, um dos filmes pioneiros na linguagem cinematográfica de vanguarda, Manhatta, no qual o fascínio e o ritmo trepidante da cidade de Nova York são narrados ao longo de um dia, ele combinou o seu trabalho como fotógrafo com a sua dedicação ao cinema e, posteriormente, à produção de livros, que se tornarão parte fundamental de sua atividade.

Strand era um artista politicamente comprometido, o que também o conduziu pelo caminho da fotografia documental. E a sua forma de lidar com o meio, transformando boa parte das cenas das suas composições em abstrações, fez dele um dos pais do que hoje se conhece como straight photography ou fotografia direta.

O Mundo de Lee Friedlander

Vamos até Madrid para conhecer este artista estadunidense prolífico, curioso e apaixonado também pela música e pelos livros, e que atualmente segue em atividade. A exposição, que pode ser visitada até o dia 10 de janeiro, apresenta um percurso cronológico por toda a sua obra: quase 350 fotografias, incluindo retratos, autorretratos, fotografias de família, natureza e paisagens urbanas, com as quais frequentemente forma séries, que reúne por associações temáticas e estilísticas desenvolvidas ao longo de vários anos. Muitos destes conjuntos foram especificados em diferentes publicações também presentes na exposição. Outros materiais também estão incluídos, por exemplo, os discos vinil de jazz, cujas capas são o resultado de fotografias realizadas por Friedlander no início de sua carreira.

Lee Friedlander
Albuquerque, Novo Mexico, 1972. Imagem em papel de gelatina e prata. Cortesia do artista e Fraenkel Gallery, San Francisco

Desenhos de Vanguarda [1910-1945]. Coleções Fundación MAPFRE

E também na Espanha, no Museu Carmen Thyssen de Málaga, você poderá apreciar até 17 de janeiro quase trinta obras em papel procedentes das Coleções Fundación MAPFRE. Das mãos de alguns dos mais destacados criadores da arte de vanguarda da primeira metade do século XX, esta exposição permite-nos adentrar no fascinante universo do desenho. Expressão que, além de sua importância histórica no ensino artístico, alcançou como gênero independente, nas primeiras décadas do século passado, um protagonismo inusitado e contribuiu, subvertendo os até então códigos vigentes interpretativos de base realista, para o desenvolvimento das linguagens da modernidade.

Desenhos simples e elegantes, de linhas poderosas e traços expressivos, que revelam o gesto de seu autor ou técnicas experimentais como a colagem, compõem o percurso desta exposição através do desenho da vanguarda espanhola e internacional que protagonizam grandes nomes da arte do século XX e os principais movimentos dos quais fizeram parte, como o cubismo, construtivismo, Dada, novos realismos e surrealismo.

Sonia Delaunay
Sonia Delaunay.
Disque, Portugal, 1915
Têmpera (aguada) sobre papel
Coleções Fundación MAPFRE
© Sonia Delaunay. L&M Services B.V., La Haya

Paz errázuriz

A obra arriscada da fotógrafa chilena pode ser apreciada no Instituto Moreira Salles, em São Paulo, Brasil, até 3 de janeiro de 2021. Paz Errázuriz encontrou na fotografia a melhor arma para defender os direitos humanos dos excluídos pelo regime e pela sociedade.

Suas imagens difíceis e às vezes desconfortáveis não fazem concessões ao espectador. Seu olhar estava voltado para aqueles que, por sua aparência ou circunstâncias, faziam parte de uma sociedade marginalizada e aprisionada: doentes mentais, sem-teto, membros de circos, transexuais, prostitutas ou indígenas. O preto e branco e os rostos anônimos dos chilenos inadaptados se converteram em uma voz de denúncia.

A exposição tem como objetivo mostrar as principais séries que compõem a obra da artista, nas quais se mostra a face mais decadente e marginal da sociedade chilena.

Paz Errázuriz.
Paz Errázuriz
Mago Karman, Santiago, da sÉrie “El Circo”, 1988
Cortesía da artista
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