A transformação digital nos coloca diante de uma sociedade totalmente diferente. As empresas e os cidadãos têm o desafio de incorporar a cultura da segurança cibernética como um eixo fundamental nesse novo cenário.

TEXTO DANIEL LARGACHA | ILUSTRAÇÃO ISTOCK

A sociedade do século XXI está exposta a uma série de mudanças que podem se assemelhar às antecipadas por alguns livros e filmes futuristas dos anos 60. A verdade é que ninguém conhece com toda certeza o futuro, nem sabe o que ele nos trará, embora seja possível intuir que a humanidade está muito próxima de uma possível mudança de era para a qual devemos estar preparados.

Como as empresas se adaptam?

As empresas já existentes têm duas desvantagens importantes quando se trata de se adaptar a esse novo cenário. Por um lado, elas precisam continuar prestando serviços aos seus clientes atuais, com meios mais tradicionais. Por outro lado, precisam incorporar novas tecnologias em seus processos, o que lhes permitirá relacionarse com os clientes digitais de hoje e do futuro (os nativos digitais). Esse processo de introdução de novas tecnologias nas organizações, a famosa transformação digital, levou a uma maior alavancagem tecnológica (ou dependência de tecnologias) das empresas, uma vez que os processos internos necessários são mais digitais e demandam tecnologia para funcionar. Como vimos anteriormente, a transformação digital apresenta uma série de vantagens e desafios para todas as empresas, mas há outro aspecto comum a todas as organizações que está ligado à alavancagem tecnológica e que surge como necessário nesse novo ambiente da segurança cibernética como um elemento que preserva a tecnologia dos riscos associados a ela.

O efeito estabilizador da cibersegurança

Assim como hoje em dia não conseguimos pensar em uma sociedade sem energia elétrica, a nova era digital não poderá ser entendida sem a cibersegurança, entendendo isso como um elemento necessário que trará confiança e estabilidade a todo o ambiente digital e, consequentemente, às empresas, aos governos e aos cidadãos como parte da sociedade.

Embora grandes esforços estejam sendo feitos, a introdução da segurança cibernética no ecossistema tecnológico provavelmente não está sendo feita gradualmente. Como já aconteceu em outras ocasiões na história da humanidade, o grau de importância que ela assume sofrerá um aumento significativo uma vez que sejam vistos os efeitos devastadores da ausência ou da aplicação inadequada desta.

A NOVA ERA DIGITAL NÃO PODERÁ SE ESTENDER SEM A SEGURANÇA CIBERNÉTICA, ENTENDENDO ESTA COMO UM ELEMENTO NECESSÁRIO QUE TRARÁ CONFIANÇA E ESTABILIDADE A TODO O AMBIENTE DIGITAL E, CONSEQUENTEMENTE, ÀS EMPRESAS, AOS GOVERNOS E AOS CIDADÃOS COMO PARTE DA SOCIEDADE.

A segurança cibernética é uma disciplina relativamente jovem, que ainda precisa ser desenvolvida e que sempre terá uma dependência direta da tecnologia (que é recíproca). A evolução da segurança cibernética nos próximos anos ocorrerá em três fatores principais. O primeiro é o da própria tecnologia: a segurança cibernética exige ferramentas tecnológicas que devem se adaptar aos novos ambientes digitais. Esta adaptação está chegando, embora a uma velocidade menor do que as demais tecnologias, pelo menos por enquanto. O segundo fator é o da regulamentação. A nova economia digital não possui fronteiras nem tarifas e também é capaz de contornar as leis dos países para se estabelecerem em áreas não regulamentadas que permitam maior liberdade de operação.

O terceiro e mais importante fator é o das pessoas. Não só é importante porque a cibersegurança exigirá profissionais devidamente treinados (espera-se que até 2020 a demanda por profissionais de segurança cresça em 50%), mas porque a cultura de segurança cibernética desempenhará um papel de maior peso em toda a sociedade. O fato de que cada um de nós possuir a formação adequada em segurança cibernética será um aspecto fundamental, tanto para o nosso campo profissional, independente de qual seja, quanto para nós como cidadãos desta sociedade moderna (como eleitores, pais, contribuintes, consumidores de produtos/serviços, etc).

Portanto, a cultura da segurança cibernética é, talvez, o fator mais importante sobre o qual a nova economia digital deve ser construída e, quanto antes começarmos a construí-la, menos esforço nos custará para compreender a mudança ocorrida no que já foi construído. Cada vez mais, como sociedade, estamos mais conscientes, embora já saibamos que o ser humano tem a tendência de tropeçar primeiro para depois se levantar.

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