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TEXTO ALBERTO GAYO | FOTOGRAFIA WOOM, ISTOCK

Tecnologia e inovação a serviço da fertilidade. Risco e paixão para se lançar no mercado femtech e revolucionar a saúde da mulher. Em apenas cinco anos, WOOM, um aplicativo criado por Laurence Fontinoy e Clelia Morales, conta com mais de 1,5 milhão de usuárias registradas em 9 países da Europa e Américas e já ajudou mais de 100.000 mulheres a engravidar. Com o objetivo de melhorar a vida das pessoas, ajudando-as a enfrentar seus desafios, universalizar o acesso a este tipo de serviços e quebrar tabus sobre a saúde e o bem-estar feminino, a MAPFRE se aliou a elas para levar essa tecnologia a cada vez mais mulheres.
A vida de uma startup vista como um parto emocionante. Com suas dificuldades, seu nervosismo e sua emoção. Suas frustrações e sua imensa alegria. Esta é a história de WOOM, o projeto que Laurence Fortinoy e Clelia Morales lançaram em 2016 com o intuito de prestar auxílio sobre fertilidade, graças à inteligência artificial (IA), a todas as mulheres que desejam engravidar. Hoje, depois de cinco anos, ainda ressoa em seu escritório em Madrid a alegria daquela ligação da primeira usuária do aplicativo que anunciou estar grávida. Ela se chama Isabel e vive na península espanhola de Levante. «Foi possível ouvir os gritos em todas as partes. Essa mãe ainda nos envia fotos de sua filha todos os anos», comenta Laurence.

Passaram-se apenas cinco anos e a WOOM é considerada internacionalmente como uma das ferramentas tecnológicas mais confiáveis e bem-sucedidas em saúde reprodutiva. Mais de 1,5 milhão de usuárias registradas em 9 países da Europa, América Latina e América do Norte confirmam seu sucesso. Mais de 100.000 gestações relatadas demonstram seu valor. Em meio a emergência sanitária devido à pandemia de COVID-19, essa startup do setor femtech conseguiu uma injeção de 2 milhões de euros em uma rodada de arrecadação de fundos. Com uma equipe de 22 pessoas e uma filial de desenvolvimento na Bulgária, seu objetivo era impactar a vida das mulheres por meio da tecnologia. E elas conseguiram. Essa capacidade de transformar e ajudar as pessoas a atingirem seus objetivos é o que faz com que empresas como a MAPFRE, neste caso por meio de seu programa insur_space, colaborem com a WOOM para que suas inovações cheguem a cada vez mais mulheres.

Mas o que é WOOM? Estamos falando de uma solução tecnológica baseada em inteligência artificial. Com ajuda profissional – desenvolvedores, engenheiros, especialistas em data science, médicos e psicólogos –, permite que as mulheres controlem seu ciclo e calendário menstrual e, assim, maximizem as chances de engravidar. «Além de ajudar a aumentar as chances de sucesso, é um companheiro diário da mulher na saúde e bem-estar, facilita o relacionamento entre mulheres de diferentes partes do mundo. Na verdade, criamos uma comunidade global com mais de 50.000 comentários mensais (a mais ativa em espanhol) sobre saúde feminina», explica Clelia. O aplicativo auxilia na tomada de decisões por meio do autoconhecimento do corpo e do estilo de vida da usuária, além de diminuir o tempo de concepção.

35% das usuárias do WOOM estão na Espanha, outras 30% no México, 20% no resto da América Latina e 15% nos Estados Unidos e Reino Unido.

criamos uma comunidade global com mais de 50.000 comentários mensais (a mais ativa em espanhol) sobre saúde feminina

Um algoritmo cada vez mais inteligente

Um algoritmo preditivo treinado e alimentado com dados obtidos de mais de 100 parâmetros da vida de cada mulher ajuda a saber quanto tempo dura seu ciclo menstrual, quando virá sua menstruação, quando começará a TPM e quais podem ser seus dias mais férteis. Também orienta sobre mudanças de hábitos relacionados ao esporte, nutrição ou sexualidade, que podem melhorar a saúde reprodutiva das protagonistas. «O algoritmo que usamos agora foi aperfeiçoado, ele entende quando o ciclo está adiantado ou atrasado. Ele não diz quando vai acontecer, mas leva em conta todo o seu histórico para fazer a previsão mais aproximada. Agora temos tantos dados que pegamos apenas os mais limpos e puros. O algoritmo ficou muito mais inteligente», explica Clelia. Especialistas em IA e data science do Vale do Silício (Califórnia, EUA), base de operações das mais importantes startups e grandes corporações de tecnologia, colaboraram com essa “inteligência”. Como não existem duas mulheres iguais, uma das muitas virtudes do WOOM é que as dezenas de parâmetros utilizados pelo algoritmo permitem o envio de conteúdos altamente personalizados, não só sobre fertilidade, mas também sobre esporte, nutrição, saúde mental e sexual.

Laurence Fortinoy e Clelia Morales, empreendedoras do projeto WOOM
De acordo com os últimos relatórios da Sociedade Espanhola de Fertilidade, cerca de 800.000 casais têm dificuldade em engravidar. É nesta realidade, em que milhares de mulheres desejam ter um filho e encontram algumas dificuldades, que empresas como a WOOM encontraram um nicho. A importância dos dados coletados por Laurence e Clelia está possibilitando o descobrimento de fatores que influenciam na menstruação: «Estamos começando a saber, por exemplo, que o estresse, a menos que seja crônico, não afeta muito. Uma das principais conclusões dos nossos estudos é que a maioria das mulheres não tem períodos de 28 dias. Normalmente, o ciclo menstrual é de 17 a 35 dias, e apenas 17% das mulheres têm períodos de 28 dias. Esta informação normaliza as preocupações de muitas mulheres. O outro grande marco do nosso estudo é que as descobertas feitas através dos nossos dados estão alinhadas com as pesquisas científicas.»

De grandes corporações ao início de uma startup

Em 2006, Laurence e Clelia trabalharam juntas no eBay Espanha, uma das plataformas pioneiras de e-commerce em todo o mundo. A primeira como diretora de marketing e a segunda como diretora de comunicação. «Percebemos que trabalhamos muito bem juntas», ambas admitem. Laurence, nascida na Bélgica e intimamente ligada à Espanha desde pequena, deixou o eBay para começar a trabalhar no Google. Em 2015, sua trajetória profissional se cruzou novamente com a de Clelia, natural de Honduras. «Novamente foi um match, nós duas trabalhamos para grandes empresas por mais de 15 anos e ambas queríamos fazer algo novo. A Clelia queria desenvolver um projeto relacionado com o bem-estar e eu, por experiência própria, procurei conectar o meu futuro ao da fertilidade», comenta Fortinoy. «Sair da comunidade de uma grande empresa que te trata muito bem não é fácil, mas tivemos que seguir em frente e não me arrependo nem um dia da decisão que tomei», acrescenta Morales. Clelia continua reconhecendo a perseverança de sua parceira e Laurence a intuição de sua sócia.

As duas deixaram seus bons empregos e então chegou a hora de empreender. Conforme consta no último relatório Global Entrepreneurship Monitor, um projeto de pesquisa que avalia a atividade empresarial em cada país, na Espanha, para cada 10 homens empreendedores, 9 mulheres iniciam negócios. Em 60% dos casos, a falta de apoio no ambiente social e familiar, a baixa visibilidade, a conciliação entre a vida pessoal e profissional e os obstáculos para encontrar investimentos provocam um abandono precipitado do processo de empreendedorismo. «Qualquer empreendedor parte de um problema que identificou ou para o qual acredita ter uma solução potencial. Como empreendedoras, na WOOM, a empatia tem sido fundamental, pois 99,9% das nossas usuárias são mulheres. Nós claramente entendemos muito bem o que acontece com elas e começamos a trabalhar com a fertilidade porque nós mesmas estávamos passando por isso naquele momento. Agora vamos trabalhar também com a menopausa porque ainda falta muita informação sobre o tema, e queremos ajudar as mulheres a passarem por essa fase de forma positiva, a vivê-la com naturalidade e sem tabus», diz Laurence.

35% das usuárias do WOOM estão na Espanha, outras 30% no México, 20% no resto da América Latina e 15% nos Estados Unidos e Reino Unido. «Existem mulheres de todos os perfis socioeconômicos», explica Clelia Morales, «porque o WOOM é uma ferramenta enorme que atende qualquer mulher que tenha um smartphone. Metade das nossas usuárias tem um problema de fertilidade, o que não significa que estejam se submetendo a um tratamento de fertilidade, apenas que estão demorando mais do que o normal para engravidar.»

Nós claramente entendemos muito bem o que acontece com elas e começamos a trabalhar com a fertilidade porque nós mesmas estávamos passando por isso naquele momento. Agora vamos trabalhar também com a menopausa porque ainda falta muita informação sobre isso

Essa empatia é sem dúvida uma das competências do empreendedorismo feminino, que no caso da WOOM agrega paixão, criatividade, organização e tenacidade

«Quando começamos não tínhamos nem um PowerPoint»

A realização do WOOM contou com o apoio e mentoria da SeedRocket, a aceleradora Google Residency e The Venture City, investidores operativos em software. «Quando começamos, não tínhamos nem um PowerPoint. Nós nos apresentamos ao SeedRocket e agora somos até mentoras. Ganhamos o campus de empreendedorismo entre mais de 200 startups. Foi como um parto, em nove meses tínhamos lançado o produto», diz Laurence. A SeedRocket foi muito importante para o lançamento do app, «foi aí que fizemos nossa primeira rodada de investimentos, muitos empreendedores vieram e nos ajudaram a criar o produto». Clelia Morales lembra que aperfeiçoaram o aplicativo com o Google Residency e profissionalizaram ainda mais o crescimento do WOOM com The Venture City.

A primeira gravidez relatada por uma usuária do aplicativo digital também foi o primeiro marco emocionante. Quando descobriram que tinham mais de 20.000 mulheres registradas e 500 relataram sua gravidez, as fundadoras se deram conta do real alcance de seu projeto. «Outro parto foi ter o primeiro algoritmo pronto com o nosso primeiro engenheiro e o médico Isidoro Bruna, diretor médico dos centros de fertilidade do grupo Hospital de Madrid, membro do Conselho de Administração da Sociedade Espanhola de Fertilidade, e ainda hoje médico chefe oficial da WOOM», lembra Clelia Morales.
«A principal dificuldade que uma mulher encontra na hora de empreender é o investimento, encontrar capital. Nosso produto é voltado para as mulheres, que também tem a ver com o ciclo e seus sintomas, e o mundo do venture capital é 97% masculino, o que às vezes faz com que não entendam o que você está fazendo e a importância disso no mercado. Nossa missão é fazer com que os homens entendam o quão importante é este projeto e, até por isso, fizemos uma boa segmentação de quem íamos sentar e conversar. Decidimos buscar investimentos com business angels mulheres e fundos focados em healthtechs e femtechs», indica Laurence. Essa empatia é sem dúvida uma das competências do empreendedorismo feminino, que no caso da WOOM agrega paixão, criatividade, organização e tenacidade. “Em algum momento você tem que arriscar e pisar no acelerador. Ao avançar, você vai perdendo o medo”, afirmam.

O mundo do venture capital é 97% masculino, o que às vezes faz com que não entendam o que você está fazendo e a importância disso no mercado

Decidimos buscar investimentos com business angels mulheres e fundos focados em healtechs e femtechs

WOOM E MAPFRE

«A rentabilidade e o crescimento são essenciais para qualquer startup. É o que diferencia as empresas tecnológicas emergentes e é por isso que você deve procurar os melhores parceiros». Neste sentido, WOOM e MAPFRE firmaram uma aliança estratégica para oferecer um maior compromisso com as clientes da seguradora e um serviço mais personalizado. «Estamos no auge da inovação no âmbito da saúde feminina. O mais interessante é que chegará um ponto em que a WOOM poderá desafogar consultas médicas e hospitais com o seu serviço. O impacto não será apenas positivo e pessoal para as mulheres, mas também para o sistema de saúde por meio da inovação.

Há cinco anos não achávamos que tudo ia se acelerar tanto», conclui Laurence. Em uma primeira etapa, o app Woom estará à disposição das clientes da MAPFRE no México e na República Dominicana XXXXXXX. Muitos leitores se perguntarão de onde vem o nome da startup: WOOM. As duas primeiras letras pertencem à woman (mulher, em inglês) e, as duas últimas, lidas de trás para a frente, são as duas primeiras letras de mother (mãe). Se acrescentarmos a essa fusão que útero se diz womb, já teríamos o nome perfeito.
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