A motocicleta se tornou um meio de transporte muito importante na América Latina. Também em um veículo que provoca milhares de traumatismos e vítimas mortais todos os anos. Os motoristas de motos e bicicletas são os usuários menos protegidos nas ruas. Um relatório da Fundación MAPFRE traz ideias importantes para colocar um freio na alta sinistralidade.

TEXTO: NURIA DEL OLMO     FOTOS: THINKSTOCK

Na América Latina, o uso da motocicleta se tornou um meio de transporte muito importante, em boa medida devido ao seu menor custo de aquisição e manutenção em comparação aos carros, e sua maior facilidade para enfrentar o trânsito urbano. O Brasil é um bom exemplo. Neste país, o número de motocicletas registradas aumentou de 5,7 milhões em 2002 a mais de 21,4 milhões em 2013. Na Argentina e Colômbia, o número de motos novas registradas entre 1997 e 2009 aumentou 329% e 400% respectivamente.

A má notícia é que estas cifras também estão acompanhadas de um crescimento dos traumatismos e mortalidade. Todos os dias morrem 61 motociclistas na região e muitos mais ficam gravemente feridos. México e Colômbia, por exemplo, acumulam cerca de 70% do total de falecidos, e no Uruguai mais da metade dos falecidos em acidentes de trânsito são usuários deste tipo de veículos.

Segundo o relatório A segurança dos motociclistas na América Latina, tendências internacionais e oportunidades de ação, elaborado pela Fundación MAPFRE, a segurança dos motociclistas é um desafio inegável e requer ações imediatas. Por um lado, é importante defender uma política que tenha como base a existência de motoristas, veículos, ruas e estradas seguras, assim como um ambiente que fomente a proteção no mais amplo sentido da palavra, com normas adequadas e a implementação de serviços de emergência. Algo tão eficaz como que os países compartilhem e divulguem suas boas práticas em legislação sobre o uso do capacete e a formação dos motoristas é outro aspecto a levar em consideração, assim como o desenvolvimento de um sistema que permita às autoridades ter acesso a informações precisas so bre o número real de falecidos e a origem dos acidentes. Isso é feito na Europa e nos Estados Unidos, para assim poder adequar as estratégias de segurança viária ao conceito de prevenção, e não de reação.

 Nos últimos cinco anos, o número de motociclistas falecidos aumentou em un 58%

Educação viária

É sem dúvida o elemento fundamental para deter a sinistralidade e uma das matérias que mais devem ser trabalhadas nos países da região. “As campanhas nacionais, combinadas com outras medidas, como os controles policiais, são mais efetivas que as ações esporádicas ou puramente locais”. Assim considera Jesús Monclús, diretor de Prevenção e Segurança Viária da Fundación MAPFRE, que aponta que “atualmente, a sociedade civil e as empresas privadas são os atores que promovem muitas das iniciativas de prevenção. Não tanto as autoridades competentes”. A República Dominicana e a Guatemala, por exemplo, conseguiram melhorar seu índice de acidentes de moto graças à implementação de campanhas que promoveram o capacete e o uso das luzes diurnas.

Melhorar a visibilidade é precisamente outro elemento fundamental para prevenir um acidente. Uma porcentagem considerável dos sinistros de motocicleta são produzidos quando o motorista de um veículo não vê o motociclista com o tempo suficiente para evitar a batida. Uma medida de prevenção relevante para aumentar a visibilidade destes usuários é circular com as luzes dianteiras acesas nos veículos de duas rodas a motor, muito utilizada nos países desenvolvidos. Assim como utilizar roupa ou coletes de alta visibilidade, uma prática em vigor em vários países da região.

Carteira de motorista

A idade mínima para dirigir uma moto nestes países varia entre os 13 e os 18 anos e os requisitos para obter a carteira são muito variáveis. A Argentina, a Costa Rica e o Equador, por exemplo, incluem algum tipo de restrição nos primeiros anos, e todos os países – exceto México – exigem algum tipo de prova ou exame teórico e prático específicos, assim como uma avaliação médica para a obtenção da mesma. Segundo os especialistas, uma das recomendações mais importantes nesse sentido seria harmonizar as idades de acesso, de modo a levar em conta a necessidade real, a maturidade dos motoristas, e os possíveis efeitos na segurança deste tipo de usuários. Também se propõe uma idade mínima, igual em todos os estados, um nível de conhecimentos básicos que permitam que um jovem motorista possa utilizar uma moto e a exigência de passar em uma série de provas teóricas e práticas, bem como avaliações médicas, que certifiquem um estado de saúde adequado, tanto físico como mental.

Seguros

Implementar medidas de controle e acompanhamento que contribuam com a obrigatoriedade de contar com um seguro de responsabilidade é um fator básico na hora de zelar pela tranquilidade dos motoristas e pedestres. Neste sentido, as propostas passam por estimular a contratação e o uso do seguro através de ações de tipo administrativo, onde por exemplo seja exigido o comprovante de pagamento ou vigência da apólice correspondente no momento de expedir ou renovar a licença de circulação de um veículo.

Download do Relatóiro

EM CIFRAS

24.600 motociclistas aproximadamente morrem na América Latina por ano

38 motociclistas mortos para cada milhão de habitantes, o triplo da média para Espanha e Reino Unido, por exemplo

De 180,6 milhões de veículos, 41,5 são motos na região, 23% do total de veículos

As vítimas mortais por moto representam 24,2% do total de falecidos em acidentes

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