Oradores com estrela por que os escutamos?

Sabia que Cícero, um dos maiores oradores da história, também tinha medo do palco? “Para vocês costumo avisar e no meu caso, percebi muitas vezes que, ao começar o discurso, fico pálido e começo a tremer…” Diálogo do Orador. Cícero

TEXTO ANA GUTIÉRREZ | ILUSTRAÇÕES THINKSTOCK

É um consolo, não é? Até o famoso Cícero tinha medo. Esse sentimento é algo mais normal do que pensamos. Ocorre porque o corpo se expõe a uma situação que não é habitual e cujas consequências desconhecemos.

“Grande e difícil tarefa é falar quando todos se calam porque notarão com mais perspicácia os defeitos que as virtudes.” Diálogo do Orador. Cícero

É claro que falar em público não é tarefa fácil, por isso, e sem querer parecer pedantes, vamos nos aprofundar no assunto partindo do conceito de oratória segundo Cícero.

“A arte da oratória está dividida em cinco partes. Primeiramente, inventar o que se vai dizer. Em segundo lugar, organizar o que foi inventado, analisar e estruturar. Em terceiro lugar, vestir e adornar o discurso. Em quarto, guardá-lo na memória e, por último, recitá-lo com dignidade e graça.” Diálogo do Orador. Cícero.

Sem dúvida, conceitos úteis e vigentes no século XXI. No entanto, você pensou por que devemos aprender a falar em público na era da internet? Damos aqui algumas razões:

Porque nos dirigimos a pessoas. Seres humanos com sentimentos, problemas e emoções. Por isso, devemos contar histórias que sejam interessantes e, além disso, saber escutar.

Porque 93% da comunicação não depende tanto do que se diz, mas sim de como se diz.

Porque sua imagem será reforçada e as pessoas que escutam confiarão mais em você. Dessa forma, você transmitirá seu valor para a audiência.

• Porque não importa a era em que estamos, a comunicação é importante independentemente do canal.

Hablar en público no es tan difícil como creemos

Na verdade, falar em público não é tão difícil como pensamos. Trata-se de conversar, algo que fazemos continuamente. Conversar para transmitir nossos conhecimentos, opiniões ou pensamentos a uma audiência, independentemente de seu tamanho. Aqui, damos algumas dicas que tornarão o mistério de falar em público em algo mais plausível.

• Prepare o que vai contar: por mais que você pense que é um especialista no assunto, não deve confiar nisso. Marque os objetivos que quer alcançar com sua palestra, colete informações e selecione os pontos principais em torno do que o seu discurso girará.

• Organize-se: independentemente do tempo tiver, é importante organizar o que você quer dizer, por isso, deve prever a introdução, os pontos principais e as conclusões.

• Entre com o pé direito: é muito importante preparar o início de uma intervenção; você captará a atenção do público e isso ajudará a deixar uma boa impressão. Às vezes, uma boa forma de começar pode ser a frase final, se souber em que direção você vai, pode escolher o ponto de partida. É importante que o final seja contundente; na maioria dos casos é o que mais é lembrado de uma intervenção.

• Na simplicidade está o gosto: defina claramente o que você deseja transmitir e conte de uma forme simples, fuja da linguagem carregada, arcaica, com excesso de formalismos, tecnicismos e confusões retóricas. Não é melhor comunicador quem recorre a palavras rebuscadas para tentar convencer o público sobre sua capacidade e conhecimento.

• Seja natural: se pretender ser diferente de quem é, provavelmente não convencerá ninguém. Se nem você acredita no que está contando, dificilmente poderá convencer os outros. Se utilizar anedotas, escolha as que façam você rir; assim, terá a possibilidade de fazer o público rir.

• Faça a situação como sua: muitos são os especialistas que dizem que nos primeiros segundos de um discurso se estabelece o vínculo com o público. Por isso, sorria, agradeça pela apresentação e espere um momento. Não comece a falar até que tenha captado a atenção da sala. Assim, cada uma dessas pessoas captará que o orador está falando com elas e seus cérebros vão se preparar para prestar atenção. Quando estiverem atentos, estabeleça contato visual. Escolha três pessoas da sala, à esquerda, à direita e no centro. Elas servirão como referência e, graças a elas, seu olhar alcançará todo o auditório.

• Não leia, fale com o coração: você pode pensar que a expressão espontânea não é tão polida, mas dará melhores resultados com o público. Uma boa ideia é fugir de discursos escritos e preparar notas com os dados principais que quiser transmitir. É claro que se a sua mente for capaz de reter sem ler o discurso que quiser dar, não descarte isso.

• Relaxe e desfrute: quando estamos sob tensão, muitas vezes nos esquecemos como respirar corretamente e, para falar em público, é extremamente importante. Não respire mais rápido que o normal, mova seu diafragma suave e ritmicamente com inalações profundas e longas.

• Ensaie os bloqueios: um dos medos mais habituais é de dar um branco na frente do público. Para isso, alguns especialistas recomendam utilizar regras mnemotécnicas, orações curtas e fáceis de se lembrar que ajudam a relacionar de forma astuciosa palavras com o conceito que queremos memorizar. Para isso, conheça seu cérebro, crie suas próprias regras e, se preferir, recorra à criatividade, simplicidade e, algo não menos importante, ao senso de humor. Cuidado com o uso das frases feitas; são muito utilizadas, mas podem dar a sensação de insegurança e inconsistência à sua mensagem.

• Vigie sua linguagem corporal: 55% da mensagem que enviamos provêm da nossa linguagem corporal: cabeça, rosto, braços, mãos são fundamentais na hora de dirigir-se ao público. Mantenha as costas retas, o queixo ligeiramente elevado; tenha cuidado para que isto não seja interpretado como superioridade e sorria, lembre-se de mudar a testa franzida pelo melhor de seus sorrisos.

Lembre-se de que ao falar em público, você está contando histórias. Siga estas recomendações e prepare suas intervenções com paixão. Assim, cada vez mais, você estará perto do orador que escolher como referência. Todos nós temos um.

FRASES CÉLEBRES

“No exórdio (início) deve-se conciliar o ânimo dos ouvintes, fazer a exposição, estabelecer a controvérsia, confirmar nosso parecer, refutar ao contrário e, no epílogo, ampliar o que nos favorece e menosprezar o que favorece nossos adversários”

“O discurso há de brilhar com a escolha e a construção das palavras, o orador há de conhecer as paixões humanas, porque em despertar ou acalmar o ânimo dos ouvintes consiste toda a força e valor da oração”

Diálogo do Orador. Cícero

“Os homens sábios falam porque têm algo a dizer; os néscios o fazem porque têm que dizer algo.”

Platão

“Faça um discurso quando estiver zangado e fará o melhor dos discursos entre os quais se arrependerá.”

Laurence Peter

BIBLIOGRAFÍA RECOMENDADA

Diálogo do Orador. Cícero

El miedo escénico (O medo do palco). Anna Cester

Hablar para convencer (Falar para convencer). Javier Reyero

Saber decir. Teresa Baró

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